Sequência de posts com descrições das cervejas estilo livre participantes do Concurso ACervA Mineira.
Cerveja e texto de autoria de: Armando Fontes e Cátia Rissi, Cervejaria Vilã
Imagem: Márcio Rossi

Baum des Lebens
Ingredientes típicos: Doce de buriti
Texto de apresentação – relação com dos ingredientes com a história, cultura e culinária do Estado de Minas Gerais:


O ingrediente que confere a essa cerveja distintividade é o fruto buriti. Sua árvore pode ser encontrada em toda a Amazônia, Nordeste, Centro Oeste e Brasil Central, atingindo seu limite austral no norte do estado de São Paulo. Também ocorre no norte da América do Sul. É a palmeira mais amplamente distribuída no país, formando populações naturais homogêneas tão amplas que chega a ser detectada por imagens de satélite
Inúmeros produtos úteis do buritizeiro são aproveitados pelas populações ribeirinhas de sua região de ocorrência, tanto na sua alimentação como em outras necessidades diárias: bebida natural ou fermentada, sabão caseiro, material para casa, óleo e doces dos frutos, fécula e um líquido potável e açucar do estipe, etc.


Da polpa prepara-se o “vinho de buriti” mediante o prévio amolecimento dos frutos em água morna; esta prática é necessária para completar o amadurecimento dos frutos que ao caírem ainda estão um tanto duros. Também é chamado em algumas regiões “vinho-de-buriti” o líquido adocicado e fermentado extraído pela incisão de sua inflorescência antes de desabrocharem as flores. Com a polpa também prepara-se o tradicional “doce de buriti”, principal produto derivado desta palmeira e já comercializado em vários estados.
Da polpa ainda se obtém óleo comestível, empregado principalmente na fritura de peixes. Dos caroços ou sementes pode-se obter um líquido obtido através de fermentação e destilação. Da medula do tronco obtém-se uma fécula amilácea semelhante ao “sagu” da Índia, empregada no preparo de mingaus. A seiva do tronco do buriti é tão rica em açúcar que é possível extrair da mesma a sacarose cristalizada como da cana-se-açúcar. Para a sua obtenção, faz-se um furo no tronco e recolhe-se a seiva num recipiente, produzindo em média 8-10 litros por árvore. O produto cristalizado tem quase 93% de sacarose. Parece que apenas as plantas machos (que não dão frutos) possuem seiva açucarada.


As folhas novas do buritizeiro dão cordas resistentes. O pecíolo da folha fornece material leve e mole usado na fabricação de rolhas e no artesanato regional, como brinquedos, pequenas caixas, etc. O “doce do buriti” geralmente é acondicionado em caixas feitas com o pecíolo da folha. Os frutos in natura podem ser facilmente encontrados nas feiras regionais no período de dezembro a julho.


A madeira do buritizeiro é moderadamente pesada e dura, porém de baixa durabilidade natural. Mesmo assim é muito utilizada regionalmente em construções rurais e construção de trapiches em beira de rios. A árvore é uma das palmeiras mais ornamentais e elegantes de nossa flora, contudo, totalmente ignorada por nossos paisagistas. O único que ousou usa-la pela primeira fez foi o famoso paisagista Roberto Burle Marx nos jardins do Palácio Itamarati em Brasília.


A importância do buriti transcende a sua utilidade econômica, tornando-se uma das plantas mais estimadas pelas populações de muitas regiões do país, sentimento este traduzido pelo uso de seu nome para designar várias cidades no interior do país: Buritizal (SP), Buriti (MA), Buritis (MG), Buriti Alegre (GO), Buriti Bravo (MA), Buritama (SP), Buriti dos Lopes (PI), Buritirama (BA), Buritizeiro (MG).


Ocorre exclusivamente em áreas alagadas ou brejosas, como em beira de rios, igapós, lagos e igarapés, onde é geralmente encontrado em grandes concentrações na forma de populações homogêneas, formando os chamados “buritizais”. Geralmente parte do tronco fica imerso na água por longos períodos, sem que isso lhe cause dano. Á água tem importante papel na disseminação de suas sementes. É até possível encontra-lo em solo seco, contudo, em alguma época este local foi muito úmido ou encharcado. Para cultiva-lo em terreno seco deve receber muita água na sua fase juvenil.


Descrição do estilo:


Aroma: Rico pão maltado combinado com um poderoso aroma de frutas escuras (ameixas, ameixas, passas de uvas) e dulçor de buriti. Presença de fortes fenóis mais comumente baunilha e / ou cravo aumentam a complexidade, e alguns ésteres de banana também podem estar presentes. Um aroma moderado de álcool é comum, embora nunca solvente. Não há aroma de lúpulo, diacetil ou DMS.


Aparência:Âmbar escuro para o escuro, rubi amarronzado. Muito espesso, Duração longa de colarinho com aspecto de mousse. O alto teor de proteína de trigo prejudica a clareza neste estlo tradicionalmente não filtrado, embora o nível de turbidez seja bastante variável. O sedimento de levedura em suspensão (que deve ser levantado antes de beber) também contribui para a nebulosidade.


Sabor: Um casamento complexo e rico, como presença de melanoidinas, fruto escuro, picante, como fenóis de cravo, banana e / ou baunilha, e um sabor de trigo moderado. O malte, sabor de pão é ainda reforçado pelo uso abundante de maltes Munique e Viena ou maltes. Pode ter um leve paladar doce e seco devido a presença do doce de buriti. sabor de lúpulo está ausente, e amargor de lúpulo é baixo. O trigo, malte, fermento são as caraterísticas que dominam o palato, e o álcool ajuda a equilibrar o acabamento. Amostras envelhecidas podem mostrar alguma oxidação de xerez como um ponto de complexidade. Nenhum diacetil ou DMS.


Sensação na boca: Médio completo para o corpo inteiro. Uma sensação cremosa típica, como sensação de calor do álcool considerável. A presença de Munique e / ou maltes Viena também fornecer um sentido adicional de riqueza e plenitude. Moderada a alta carbonatação. Nunca quente ou solvente.


Impressão geral: Forte, maltada, frutada, baseada em cerveja de trigo que combina os melhores sabores de uma weizen e a força e corpo de uma bock.


Comentários:Uma cerveja Weizen-fabricada para bock ou doppelbock. Agora também é feita no estilo Eisbock como uma especialidade de cerveja. As garrafas podem ser gentilmente rolado ou agitado antes de servir para despertar o fermento.


Ingredientes: Uma alta porcentagem de malte de trigo sendo o restante de Munique e / ou tipo de maltes Viena, adição de doce de butiti como priming durante o envaze. Cozimento por decocção tradicional sem doçura enjoativa. leveduras cerveja Weizen produzem o picante típico e frutado. A fermentação quente ou muito frio também fazem com que o fenóis e ésteres fiquem sem equilíbrio e podem criar sabores estranhos. Uma pequena quantidade de lúpulo nobre é utilizado apenas para amargor.


Características vitais:
IBUs: 15 – 30
SRM: 12-25
OG: 1,064-1,090
FG: 1,015-1,022
ABV: 6,5-8,0%