Muito além da loira gelada
Natalenses se interessam por cervejas artesanais e já há até cursos especializados na cidade
por Gabriela Olivar

O estudante de direito Rodrigo Camargos, 22, é um apreciador de cerveja. Mas a convencional, fabricada industrialmente, que costuma protagonizar as rodas de bate-papo entre os frequentadores de bares em Natal, não é exatamente sua preferência. Trazidas de viagens por alguns tios, as cervejas artesanais acabaram ganhando tanto espaço que passaram a ser objeto de estudo e investimento empresarial para o jovem. “Em 2007, passei a incluir a procura pelas cervejas especiais nas minhas viagens”, contou o estudante, que já fez cursos em Minas Gerais, estado considerado vanguarda na fabricação e degustação de cervejas artesanais no Brasil.

Neste ano, Rodrigo se aprofundou no tema e organizou, na última semana, o primeiro curso de degustação da bebida em Natal, encontro que reuniu, em dois dias, cerca de 60 pessoas.

No meio, Rodrigo ainda é considerado um cervejólogo, que é alguém que degusta e difunde a cultura. Há, ainda, os chamados mestres cervejeiros, que são classificados em titulados ou práticos. Os primeiros recebem formação técnica ou acadêmica específica (não disponível no Brasil) e têm profissão regulamentada; os segundos são autodidatas, pesquisadores, pessoas que começaram a produzir suas próprias cervejas no quintal de casa.

O mineiro Marco Antônio Falcone é um exemplo de quem iniciou fazendo cerveja nos fins de semana, como hobby, e, hoje, tem uma microcervejaria que comercializa rótulos artesanais próprios. “Comecei a me interessar por esse processo em 1988 e, em uma viagem à Alemanha, vi que a cerveja que provei lá era igual à minha”, lembrou. Marco percorre o país inteiro compartilhando sua experiência e ministrou o curso organizado por Rodrigo, em dois bares de Natal.

Degustar, segundo o mestre, é analisar de forma sensorial as características off flavors (defeitos) e on flavors (qualidades) da cerveja. Além disso, é possível harmonizar a bebida com pratos, queijos e comidas exóticas, transformando-a numa nova atividade gastronômica. O Brasil conta, atualmente, com 100 microcervejarias. “Dez delas têm excelentes cervejas, reconhecidas, inclusive, internacionalmente”, afirmou.

Para Rodrigo, os natalenses ainda não tomaram gosto pelas cervejas artesanais porque não as conhecem. “Acredito que, com a difusão dessa cultura por aqui, a cerveja especial vai agradar, principalmente entre os jovens, que não têm medo do novo, de experimentar”, opinou. “Em Belo Horizonte, por exemplo, os filhos foram apresentando a novidade aos pais”.

Fonte:Cidades Edição de domingo, 1 de agosto de [email protected]
Foto: Rogério Vital -Deguste